Cara, sinceramente eu não entendo...
Não entendo o dia...
A noite...
O cachorro que lambeu o meu pé na semana passada (na verdade, acho que era uma cadela)...
O vizinho que tá na praia estressadão com a vida no comércio dele onde ele não trabalha, mas telefona prá conferir as coisas que ele não sabe que acontecem...
Não entendo o calor que faz nesse dia de calor que faz...
A chuva que destruiu uma parte do estado que se torna um estado destruído...
A bebidinha que o menininho pediu prá suposta mãe no supermercado da esquina que é caro prá cacete...
A barba que me insiste em crescer por que eu não corto...
O cabelo que me cai sem que eu queira...
O suvaco peludo daquela menina que é tão linda...
Não entendo as palavras soltas que escorrem dos dedos amarelados pelo cigarro de filtro branco...
Os poucos neurônios que me deixam neurótico...
O banco do ônibus lotado que tem apenas um lugar vago ao lado de uma pessoa negra e ninguém senta antes que eu sente e sinto muito...
A fome no mundo que se tornou algo clichê demais prá maioria que é cada vez maior. Tanto para quem fala sobre... e quanto para quem sente? Sobras?...
A latinha catada da velhinha - coitada - na calada da noite que se cala...
O sono que não vem pela química nasal...
A vida que se esvai, mas o ídolo é imortal...
Eu não entendo... sincera-mente...
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
Entendo?
Postado por Filho da Ada às 15:17:00
Marcadores: Desinteressantes palavras
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1 bedelhos alheios:
Pior é saber que tudo isso não é mera licença poética...
Vou dormir antes que o desperta-dor me desperte... a dor.
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