CLICK HERE FOR BLOGGER TEMPLATES AND MYSPACE LAYOUTS »

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

MILLÔR

Eu queria escrever algo sobre a nova onda da reforma ortográfica da língua portuguesa. Mas não sabia o quê.

Então, como que por acaso, estava eu indo para a Joaca, nesse domingo passado, acompanhado de uma linda menina linda - Isa Brisa -, quando, como que por acaso (de novo!), um entregador de revistas errou a mira de um dos muitos casarões da Lagoa da Conceição, meu nobre e fedido bairro.

A revista ficou pendurada na grade e eu e minha linda Isa Brisa resolvemos ter algo para ler na dita Joaca.

Era uma dessas revistas que não há quem leia, nem quem veja (sacou?), de tão ruim produção nacional. Mas, como tudo pode acontecer, estava lá um artigo desse grande cara, Millôr Fernandes (lê sobre o cara aí, meu!), falando sobre a dita reforma, a Caca da Cacografia.

Vê aí se o cara não tem razão!!

EM IPANEMA TODOS OS RICOS MORAM NA VIEIRA SOUTO. ENGRADADOS.

A CACA DA CACOGRAFIA
O trema foi abolido. "Tremei, pais de família!" (como dizia Castro Alves).
Os donos do mundo, dos países, municípios, quintas e cercanias, formam a Nomenklatura. Que manda no mundo. Generais pensam mandar no exército. Quem manda é a Nomenklatura do exército. Ministérios pensam ministeriar, quem ministeria é a Nomenklatura. Escritores, jornalistas e assemelhados pensam que escrevem o que querem. Quem escreve é a Nomenklatura.

Não é à toa que Nomenklatura é palavra russa.
Quer dizer, isso no pequeno período comunista. Mas antes, lá mesmo, na Rússia, você já tinha lido Gogol. Está lá todo o horror burocrático da Visita do Inspetor.

Penso e repenso. Pode ser que se me tenha escapado. Mas, pra implantar essa estúrdia (!) hifeniano-desacentada reforma, houve um plebiscito? Alguém te ouviu, grande escritor? Alguém te consultou, dedicado professor? Ou apenas os velhinhos da Academia daqui (38, mais dois mortos em rodízio) resolveram isso combinando com os 38 velhinhos (restantes) de lá?

É isso, não adianta chiar. Foram muitas viagens, conferências, convescotes, assessores (palavra com muito esse, vamos economizar: aceçores), conselheiros/as e olheiros durante as inúmeras viagens nesses quinze anos de estudos. Natural. Portugal e derivados são países extremamente agradáveis pros nossos velhinhos. E o Brasil é muitíssimo tropical pros galegos (vocês se lembram quando português era chamado de galego? Os americanos, cheios de culpas ancestrais, ainda não tinham inventado o politicamente correto).

Ué, vocês não sabiam pra que servem essas conferências – linguísticas, médicas, geográficas, políticas? Pra marcar outras conferências.

Ah, lá em cima citei Castro Alves, o primeiro baiano marqueteiro do país. Bem-sucedido, seguro, poeta emérito e recitador ainda mais, Castro sabia-se. Foi à noite, em frente ao espelho, satisfeito, com razão, pela bela aparência, que ele pronunciou esta frase (ajeitando a aba do chapéu): "Tremei, pais de família!".
E não é que os pais tremiam? O homem era phoga!

Já passei, em minha curta existência, por 37 reformas ortográficas e orográficas. É, mudaram até o nome de algumas montanhas de minha intimidade, embora isso não tivesse afetado o alpinismo social de muitos letristas, a começar pelo fundador da liga principal, a de Letras.

Por natureza, não por ideologia, nunca respeitei nenhuma dessas convenções. Pois convenções são muito convencionais. Só respeito coisas respeitáveis, indubitáveis: tombo de escada, queda da bolsa, escorregão em cocô de cachorro.

Agora, se tem traço, se tem ponto, se tem pesponto, posponto, chapeuzinho, eu faço como fazia o Aurélio, Aurélio Vírgula ou Aurélio Cabeleira, nosso companheiro na revista O Cruzeiro. Examinava nossos textos com a maior sem-cerimônia – já era um sábio no ramo – e tascava vírgulas.

Uma vez, pegando uma lauda de um colega, na qual o dito não tinha posto nenhuma pontuação, e não por rebeldia, por pura ignorância, Aurélio encheu de vírgulas tudo o que sobrou da página, e decretou: "Taí, rapaz, agora pega essas vírgulas e salpica onde couber".

Mas não se preocupem demais com essas besteiras. Isso não dura. Como nos ensinava Rubem Braga, uns dos dez maiores escritores brasileiros do futuro, quando tínhamos algum problema ao compor uma frase: "Não quebra a cabeça, não. Dá uma voltinha".

Agora, me ensina aqui, Rubem: como é que se dá uma voltinha num hífen?

MILLOR - ("Caiu meu circunflexo!! E quando chover??")

Grande cara, esse tio Millôr... ooops... Millor!

2 bedelhos alheios:

Bianca Melyna disse...

Excecionais ou apocalíticas essas novas regras?

Filho da Ada disse...

É o que dizem...