Cigarro: organização festejou o resultado do ato, lembrando que Belém foi a primeira cidade onde a polícia não reprimiu a marcha com cassetetes.BELÉM (PA) – A grande sensação do final de semana no Fórum Social Mundial (FSM) de Belém foi a Marcha pela Legalização da Maconha, realizada na tarde do último sábado. A marcha reuniu integrantes de diversos grupos e tribos e não era possível definir um perfil típico dos participantes. “Chega de morte e de prisão, legalizar é a solução!”, gritavam os manifestantes.
Outras palavras de ordem também chamaram a atenção de diversas pessoas, participantes do FSM ou não. Uma das mais marcantes dizia “maconha é natural, Coca-Cola é que faz mal”. Críticas diretas e indiretas aos governos também tinham espaço nas palavras de ordem: “o latifúndio é uma vergonha. Libera a terra pra plantar maconha!”.
Os integrantes da marcha percorreram as ruas da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra) e depois seguiram pela avenida Perimetral até a Universidade Federal do Pará (UFPA), onde terminaram o manifesto fumando juntos diversos cigarros de maconha, os chamados “baseados”, à beira do rio Guamá.
A organização da marcha orientou os participantes para que não utilizassem maconha durante o ato, mesmo assim algumas pessoas podiam ser vistas consumindo a erva muito discretamente durante o trajeto. Policiais militares que faziam a segurança ao longo da Perimetral se contentaram em observar o movimento, que foi totalmente pacífico. Quando os manifestantes passavam por alguma unidade policial, a palavra de ordem mudava para “Ei, polícia! Maconha é uma delícia!”.
Os participantes da marcha ainda pegaram todo um carregamento de água mineral que estava sendo transportado por um veículo da Prefeitura de Belém, que passou pela marcha em frente ao terminal rodoviário da UFPA. No mesmo momento, os manifestantes mudaram o grito para “ero, ero, ero, o prefeito é maconheiro!”.
Quando entraram pelo portão da UFPA, mais uma vez a palavra de ordem mudou: “Vem, vem, vem pra marcha vem! Só maconheiros!”, gritavam os manifestantes para as pessoas que assistiam às apresentações culturais no palco montado para o FSM.
A marcha terminou no palco próximo à orla da UFPA, onde um dos organizadores pegou o microfone para dizer que “maconheiro não é criminoso, não é cidadão de 2ª classe”. Ele também disse que “foi a primeira vez que a polícia não chegou com cassetetes, e sim fez a escolta dos participantes”.
GLOBAL - A Marcha da Maconha é um movimento global, geralmente marcado por manifestações políticas em diversos locais do mundo durante o mês de maio. Ano passado, o movimento foi proibido na cidade do Rio de Janeiro, onde funciona a organização nacional da marcha.
Entre os argumentos dos partidários da liberação da maconha, se destacam o combate a todos os problemas do tráfico, que podiam ser resolvidos com a legalização. “A Marcha da Maconha Brasil é um movimento social, cultural e político, cujo objetivo é questionar a proibição hoje vigente em nosso país em relação ao plantio e consumo da cannabis, tanto para fins medicinais quanto recreativos”, diz a carta de princípios do movimento.
Nota: espaço para conclusões (?).
Grifos meus.

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